Giuliano Improta

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019 às 16:53

Uma carta de suicídio no Facebook...

Motivo? Porque eu achei necessário. Não só para falar de mim, mas para falar algumas coisas que as pessoas não estão se dando conta sobre suicídio. Alerta de textão informativo junto (quase um TCC ushuahsua)

A certeza de que eu morreria pelas minhas próprias mãos nasceu comigo, as coisas que ocorreram entre meu nascimento e o dia de hoje só determinaram quando isso aconteceria. Lembro de ter 13, 14 anos e as ideações suicidas já estavam lá.10 anos depois e nada mudou, sinto que o que fiz até agora foi apenas adiar o inevitável. Sempre deixei a ideia ali guardada, pra quando eu não aguentasse mais viver ter uma forma de escapismo eterna. E eu sabia que um dia eu não aguentaria mais, porque viver, pra pessoas como eu, é pesado e dilacerante. Não que pra alguém seja fácil, mas pra uns é mais suportável, não é meu caso. Eu sou uma dicotomia ambulante, dentro de mim há uma constante briga entre 2 opostos. Tem um lado meu que me ama, me venera, que valoriza todas as minhas habilidades e que me acha uma pessoa incrível, narcisismo puro. Mas tem um eu dentro de mim que me odeia. Me auto sabota todos os dias, me faz acreditar que eu não mereço ser feliz, me faz crer que sou problemático demais pra ser verdadeiramente amado. Às vezes me pergunto qual a sensação de viver sem ser assim? O quão leve deve ser deitar e conseguir parar de pensar. Eu penso demais, sobre tudo e o todo o tempo, meu cérebro não desliga pra nada, penso meticulosamente em coisas que eu nem queria pensar. E isso é horrível, porque aumenta a racionalidade exacerbada que eu tenho quando não estou em crise. Por outro lado, eu tenho uma sensibilidade gigante que quando estou em crise é elevada à enésima potência, e isso dói muito. É como se racionalmente eu tivesse a capacidade de compreender o mundo e cada uma das pessoas de uma maneira muito mais nítida e óbvia do que as pessoas normais, mas emocionalmente eu não tenho a base necessária pra aguentar a carga que essa compreensão toda me traz. E aí eu surto, e não é pouco. Cada surto é como uma morte lenta e dolorosa.

Outro fato é que não consigo gostar de uma vida comum, preciso sempre de novas emoções, novas experiências, em 50% do meu tempo eu estou provocando sentimentos em mim mesmo e nos outros, e nos outros 50% do meu tempo eu estou tentando lidar com as consequências disso (que geralmente são péssimas). Eu nunca consegui entender como alguém consegue ser feliz tendo uma rotina, acordando, desejando bom dia, trabalhando, namorando, estudando, socializando. Como as pessoas não ficam entediadas com isso? Como não buscam algo de extraordinário? Se até o extraordinário me entedia! Pra mim é assim, eu consigo uma coisa e 5 minutos depois já não tem a mesma importância, preciso de algo novo, pra assim que eu conseguir, 5 minutos depois também já não ter mais tanta importância. Acredito que as únicas sensações eternas e latentes em mim sejam a de tédio, a de vazio e a de dor que esse vazio me causa. De resto, vou do céu ao inferno em 1 hora. Sou capaz de experimentar todo o espectro de sensações humanas em 1 só dia. E isso cansa. Pensar de mais cansa, sentir demais esgota. Ser demais uma hora da vontade de simplesmente não ser mais.

Tudo o que fiz pra sobreviver até aqui foi utilizar mecanismos de defesas, válvulas de escape, formas de fuga da realidade. Então pra quem chegou a me conhecer, qualquer versão de mim que não seja a de um guri fodidamente depressivo e com transtorno de personalidade, com desenvolvimento emocional digno de uma criança de 10 anos e com pavor de ser abandonado/rejeitado, era escapismo puro. Provavelmente era alguma das 1001 versões irreais de mim que eu criei pra não ter que encarar a realidade. E acredite, mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira. Eu tinha vergonha de assumir minhas fraquezas, e não nego, se eu optasse por continuar vivo não as assumiria. As pessoas são desinformadas, cruéis ou as vezes as 2 coisas juntas. Aos 45' do 2º tempo eu assumi pra alguns amigos meus, e acredite: poucos sabem lidar. Uns correm, outros se retraem, outros usam o fato de você ser "transtornado" pra justificar os vacilos deles mesmos contigo. Se 1 escolher ficar é muito. Eu imaginei que seria assim, por isso tive receio de exteriorizar antes. Logo eu, que sempre fui um ótimo psicólogo pros meus amigos, logo eu que sempre escuto "nossa.. queria ter o Q.I que você tem, que inteligência!". Logo eu que sou autodidata em psiquiatria. Hoje afirmo que todo esse conhecimento de nada adianta se você não pedir ajuda quando não consegue mais seguir sozinho. Sabe o que esse conhecimento me traz hoje? Raiva, por saber de tudo que eu sei e ser incapaz de me controlar durante uma crise, ser incapaz de viver, ser incapaz de pedir ajuda. Pra quem é como eu e está lendo isso: não é vergonhoso gritar por socorro, não é vergonhoso ter depressão, ter TPB ou qualquer outro transtorno não faz de você menos inteligente ou um profissional ruim, muito pelo contrário, na reta final conheci pessoas como eu que são excepcionais e que merecem o mundo. Vergonhoso é se enfiar no rio de merda que eu me enfiei e não ter mais por onde sair.

O que também acaba comigo, é que embora eu tenha reais motivos para estar triste, eu não precisaria deles. Minha essência é assim, é a tristeza pela tristeza, a dor pela dor; como diria Schopenhauer "a essência da existência é a dor". O que me destrói é saber que eu vivi um total de 9.249 dias de vida, e que eu poderia viver mais 9.249 e não acharia nada que trouxesse sentido pra minha existência. Eu fiz 5 anos de graduação no curso que eu sonho desde pivete, e isso hoje me é indiferente. Fiz cursos de extensão na área que eu amo e nada disso me entusiasma. Sei que vivo, eu teria uma carreira brilhante pela frente, seja na magistratura criminal ou como advogado criminalista, me sairia muito bem em qualquer uma das carreiras. Mas isso não me motiva. Vejo meus amigos que se formaram, cheios de dúvidas e expectativas, e eu não. Porque o que me incomoda é a certeza. Certeza de que assim que eu começasse minha carreira, nos primeiros 5 minutos eu iria enjoar, me entediar, e me questionar "é pra isso aqui que você ficou vivo? Toda dor diária é pra isso?". Não me parece ter sentido, mesmo sendo meu sonho. Aliás, carrego comigo milhares de sonhos e uma lição: definitivamente sonhos não são o suficiente pra manter viva uma pessoa como eu.

Por todo o exposto, há mais de 3 meses planejo meu suicídio. Incluindo neles 2 tentativas. Acredite, quando uma pessoa tenta se matar (independentemente das razões pelas quais não conseguiu) é frustrante demais. A ressaca moral que vem depois, a sensação de impotência, inutilidade e fracasso que vem depois é enorme. Então poupe quem passa por isso de julgamentos. A vida com essa pessoa já é dura o suficiente a ponto de ela não querer mais viver. Julgamentos não ajudam, uma palavra de conforto sim. Desde que decidi que o momento era esse, eu, que sempre fui um apreciador nato do comportamento humano, fiz do meu plano suicida uma espécie de experimento. A conclusão foi o óbvio: suicídio é um tabu, as pessoas não estão dispostas a aprender sobre ele, e o nível de ignorância é absurdo. Há 12 dias, eu ouvi a seguinte pérola de uma amiga que também tem depressão: "quem quer se matar se mata, não fala que vai fazer, isso não existe". Bom, fico feliz que agora ela sabe que existe kkk (ironia), porque isso é uma das maiores falácias sobre suicídio, e se uma pessoa depressiva, que tem amigos potencialmente suicidas pensa assim, imagina o que os outros não pensam?? É mais do que necessário passar a tratar o suicídio com zelo e atenção, além de elaborar políticas públicas pra que a prevenção se torne mais eficaz. Vai falar de prevenção pra alguém que chegou no nível de determinismo que eu cheguei, a pessoa vai rir. Eu só estou falando aqui sobre prevenção porque há pessoas que, diferente de mim, não querem se matar, querem ser notadas e ajudadas. Já passou da hora de entender que a prevenção ao suicídio começa muito antes da pessoa tentar contra a própria vida. O que vem depois disso é desespero. E desespero com alguém que já está desesperado nem sempre funciona. Prevenção ao suicídio começa na infância, quando você se preocupa em ouvir seu filho, quando você observa o comportamento dele e faz o necessário pra ajudar no primeiro sinal de que algo não está certo. Prevenção ao suicídio começa quando você ensina pra ele que todos somos diferentes e que há beleza dentro de nossas peculiaridades, quando você ensina a não praticar Bullying e a respeitar os colegas e professores. Prevenção ao suicídio começa quando ele chora porque levou um fora e você explica que tudo bem, que faz parte da vida, ao invés de ajudar a reforçar a ideia de que ele é um frouxo por não ter conseguido o que queria (e que não dependia só dele). Começa quando sua filha chega falando que foi assediada e você corre atrás pra saber o que aconteceu e tomar as medidas cabíveis ao invés de culpa-la. Começa quando você acolhe seu filho com as diferenças dele, ao invés de colocá-lo pra fora de casa por ele ser diferente daquilo que você almejou um dia (lembre-se que muitas vezes você não é o pai/mãe que ele sonha ou que merecia). Prevenção ao suicídio começa quando você percebe que um amigo não está bem e tira 1 hora do seu dia pra uma conversa. Começa quando você está disposto a ajuda-lo, quando você leva a sério a depressão dele, quando você não usa o transtorno dele pra machuca-lo mais ainda. Nunca diga pra um potencial suicida continuar vivendo porque vai fazer a família sofrer, ou porque vai fazer seus amigos se sentirem culpados. Mostre a ele razões pra que continue vivo por ele mesmo. Terceirizar uma razão pra viver não é algo digno, e nem é um ônus que deva ser depositado no outro. Se eu não sou mais capaz de ver no meu interior motivos pra continuar vivo, melhor não estar. A prevenção começa quando entendemos que não falar sobre o problema não vai fazer ele desaparecer, é necessário falar, é necessário estudar, é necessário prevenir de uma maneira muito mais eficaz do que está sendo feito até hoje. Prevenção ao suicídio começa quando nos é ensinado a desenvolver resiliência, resiliência é a chave pra se evitar suicídios cometidos por impulso, porque sim, muitos suicídios não são planejados e poderiam mais ainda ser evitados. Não existe uma fórmula suicida, a única coisa comum em todos é a morte, todo o resto é variante, e geralmente um suicídio é multifatorial. Nem todo depressivo é suicida, e nem todo suicídio é cometido por um depressivo. As duas coisas são separadas, mas com certa frequência coexistem, por isso é necessário um tratamento diferencial aos depressivos que são potencialmente suicidas.

Nesse meu “experimento” conheci milhares deles. Entrei em fóruns internacionais de auxílio a suicídio (sim, auxilio) e acredite, muito mais pessoas do que você imagina estão discutindo as melhores formas de morrer e planejando suas próprias mortes, a todo momento. Cabe ressaltar que o ato de suicídio é separado do pensamento de suicídio. Pensar em suicídio é algo que todo mundo faz, muito mais do que se admite. Namorar a ideia do suicídio é comum principalmente (mas não exclusivamente) entre os depressivos e com algum transtorno de personalidade. O ato que não é (ou não deveria ser) comum. Entre essas duas coisas - pensar e fazer - há toda uma base, uma teia que liga todos os motivos que fazem com que a pessoa escolha permanecer viva. O suicídio contradiz a inclinação natural do ser humano que é a autopreservação, então pra chegar ao extremo de romper todos os limites que compõe nosso instinto básico de sobrevivência, e tirar a própria vida, é porque a pessoa perdeu todos os vínculos vitais que a faziam querer continuar. Além dos suicidas que conheci nos fóruns, fiz parte de um grupo de mortes no Facebook, e lá conheci vários também. Quando eu comentei em um post que cometeria suicídio em abril desse ano (era minha data inicial, mas falhei em esperar até lá ushaus), choveu gente no meu inbox. Uns pedindo dicas de suicídio, outros pedindo ajuda, e outros querendo me ajudar. Aconselhei os que eu pude, a ajuda eu dispensei, sempre disse que estava 101% certo do que faria, mas a amizade de algumas pessoas que fiz lá, levarei comigo. Vocês foram essenciais pra eu aguentar até aqui, foram essenciais nas minhas últimas crises onde não pude contar com as pessoas que eu mais queria ter podido, não citarei nomes mas quem é sabe, em ambos os casos. Não vou ser hipócrita, deixo consignado aqui que fui a exceção à regra e que recebi apoio de MUITAS pessoas, e outras, claro, não deram a devida importância ao assunto. Mas eu sempre estive certo do que faria, então essas atitudes menos zelosas, não influenciaram na minha morte. A questão é: e se eu não estivesse certo? (como a maioria das pessoas que gritam por ajuda não estão), e se eu precisasse realmente das pessoas que eu amava e me faltaram? E se as coisas que eu li/ ouvi nas últimas semanas fossem lidas/ouvidas por alguém que estava só esperando um incentivo: ou pra morrer ou pra continuar vivo. De fato, ia dar ruim. Pessoas estão pedindo por ajuda o tempo todo e estão sendo negligenciadas com a mesma frequência. Errar todos erramos o tempo todo, eu nasci errado e vou morrer errando. Mas quando se trata de vidas, erros podem ser fatais, a gente nunca sabe qual o limite do outro. A gente nunca sabe quanto peso temos na vida do outro, a gente nunca sabe como uma palavra dita de maneira ríspida ou de maneira gentil pode influenciar nas decisões e na vida de uma pessoa.

Sou grato a ambos os tipos, pois uns me fizeram ver o quanto a humanidade está egoísta e outros me fizeram ver que uma minoria ainda é capaz de ter empatia. Essa minoria, na minha concepção, não é capaz de salvar o mundo do caos que ele se tornou, não vou ser utópico, tudo só tende a piorar. Mas o que eu escrevi até aqui não se trata de salvar o mundo, e sim de cuidar daquela pessoa que está do seu lado no seu dia-a-dia, nada impossível, nada heróico, apenas humano. Como diria meu 2º escritor favorito (o 1º é Pessoa), Charles Bukowski: "a gente começa a salvar a humanidade salvando uma pessoa de cada vez; todo o resto é delírio romântico ou político".

A quem se deu o trabalho de ler esse TCC até aqui (ufa kkkk), eu te desejo que sua humanidade seja renovada a cada dia. Eu espero que você não tenha que perder seu filho para entender que a sua religiosidade exacerbada e sua imposição disso á ele não funciona, projetar nele seu ideal de vida também não, espero que entenda que amá-lo somente enquanto ele está disposto a ser o que você quer, não é amor... porque amor com cláusulas de condição pode ser tudo, menos amor. Eu espero que você não tenha que perder um amigo para perceber o quão bom ele era pra você, o quão ele se esforçou para tentar manter ou recuperar sua amizade, mesmo quando ele não estava bem consigo mesmo e com o mundo, mas você não se importou... simplesmente preferiu jogar fora o que você mesmo disse ser tão importante um dia - mas eu te entendo, afinal falar que é, é fácil, difícil mesmo é ser... falar "eu estarei sempre aqui pra você" é fácil, difícil mesmo é estar. E eu cansei de ser, cansei de estar. Eu espero, de coração, que você não tenha que perder o amor da sua vida enquanto busca desenfreadamente se curar onde tuas cicatrizes tiveram origem, porque ele não tem culpa disso (e nem você), mas é que independente de culpas, quando o arrependimento bate ele corrói, e geralmente ele chega tarde demais, e vai por mim: nada é pior do que tarde demais.

Hoje eu morro engasgado (literalmente kkk) com todo amor que tentei dar aos outros e que não souberam (ou não quiseram) receber, porque eu fui daquele tipo de pessoa que tenta até o ultimo, eu tentava por mim e pelo outro, tentava até sangrar minha alma, então todas as pessoas que me perderam em vida, foi única e exclusivamente porque quiseram e não por falta de eu querer ficar. Mas agora eu cansei de tentar ficar. Faço aqui um “mea culpa” e isento a minha família dessa parte, pois aqui quem já não conseguia mais tentar dar/receber amor era eu, que em razão de conflitos passados criei uma certa barreira. Meu pedido de perdão, em especial a minha avó que nunca desistiu de mim.

A mim mesmo, desejo que eu encontre a paz como nunca tive. Meu maior desejo nos últimos meses (ou anos) é parar de sentir... e não é somente os sentimentos ruins, é uma total ausência do sentir. Quero crer que isso está prestes a acontecer, e embora haja opiniões controvérsias, ninguém nunca voltou pra contar. O meu adeus aos que ficam...


PS: meu último desejo é ser cremado, e NÃO quero ter velório. Sério, é pavorosa a ideia de pessoas envolta do meu cadáver, lamentando o que eu considero ter sido minha melhor decisão.


Carta postada no perfil do facebook desse jovem...

https://www.facebook.com/giuliano.imperato

Jeronymo Artur

sábado, 28 de setembro de 2013 às 20:59
Sinto a dor anestesiar minhas entranhas, como uma lâmina que corta sutilmente os pulsos de um suicida famigerado. Uma dor que nunca foi tão profundo dentro de meu corpo. Sinto o coração apertado, o peito doendo, as mãos trêmulas como uma bandeira fincada no topo de uma montanha. Mas de que adianta passar base sobre a ferida, se ela ali permanecerá? Quero um remédio que cure a dor, que cure o aparente, mas talvez nem nas melhores farmácias se encontre algo que faça efeito em vinte e quatro horas. E na farmácia cerebral, então, é que não existe mesmo.

Como te dar certeza, como te prender a mim, se eu não sei? Se não sou sabedor dessa coisa que ainda chamo de mente. Escura mente. Indecifrável mente. Estúpida mente. Como te segurar com minhas mãos, te pedindo que não vá, se não tenho pássaros em gaiolas e os prefiro ver livres para pousar onde acharem que devem? E como não te dizer que te amo se, definitivamente, é o sentimento que me corrói inteiro por dentro? Como te dizer que não te quero, se com meu corpo e alma é isso que desejo? Como posso ser egoísta a tal ponto de te querer pra mim, mas não poder me doar como, indefinidamente, eu gostaria?

Sinto minha voz rouca, meus cabelos desgrenhados, meu corpo desfalecendo à simples percepção de que deixar ir pode significar nunca mais voltar. Sinto minhas mãos abraçando o vento enquanto durmo e tenho sonhos que outrora foram reais. Sinto-me extasiado, demasiadamente cansado, copiosamente lacrimejando ao mero sinal de que o nunca mais não existe pra mim, mas que nada é igual pra todo mundo, e que essa deve ser a conseqüência para as coisas da vida pela qual você se arrisca. Mas e não saber, e não saber, e não saber?

Como resistir à tentação de não te ligar, de não te enviar um torpedo ou de simplesmente olhar em seus olhos? E como olhar em seus olhos, em meio a essa luta interna de sentimento, e dizer que não consigo, que não posso, enquanto quero me jogar nos teus braços, beijar a tua boca e deitar no teu colo? Não posso fingir que você não existe e não me sinto capaz de perceber que pra você eu não existo mais. Será isso o necessário? Será que você vai me apagar, me esquecer e pensar que eu realmente já não existo mais?
Jeronymo Artur

Últimos versos de um poeta suicida

sábado, 14 de setembro de 2013 às 04:31
“Se eu desistir de existir
não se assuste,
é só o inicio de um novo fim,
E assim, se não nascer o sol
não se preocupe,
eu estarei dentro de ti!

Não pense que é facil para mim
mas eu tentei, por muito tempo eu tentei,
e agora abro mão e te juro de coração
Eu fiz de tudo para que o tudo não acabasse assim

Espero que seja melhor, espero estar correto,
Nessa vida eu não posso viver. estou cada vez mais perto
de sorrir, quando eu fechar meus olhos vou sorrir e enfim ser feliz

É o fim eu sei,
um dia ele chega pra todos nós,
Mas não quero esperar
que aconteça,
antes que eu me esqueça deixe eu te lembrar
te confortar, eu sei que assim vai ser melhor.”


By. @pkt_ para Leandro Franco, que não queria mais viver nessa vida, e se suicidou aos 19 anos. R.I.P

Suicídio - Por Bukowski

às 04:28
Andava com mania de suicídio e com crises de depressão aguda; não suportava ajuntamentos perto de mim e, acima de tudo, não tolerava entrar em fila comprida pra esperar seja lá o que fosse. E é nisso que toda a sociedade está se transformando: em longas filas à espera de alguma coisa. Tentei me matar com gás e não consegui. Mas tinha outro problema. Levantar da cama. Sempre tive ódio disso. Vivia afirmando: "as duas maiores invenções da humanidade foram a cama e a bomba atômica; não saindo da primeira, a gente se salva, e, soltando a segunda, se acaba com tudo". Acharam que estava louco. Brincadeira de criança, é só disso que essa gente entende: brincadeira de criança - passam da placenta pro túmulo sem nem se abalar com este horror que é a vida.

Sim, eu odiava ter que me levantar da cama de manhã. Significava que a vida ia recomeçar e depois que se passa a noite inteira dormindo cria-se uma espécie de intimidade especial que fica muito mais dificíl de abrir mão. Sempre fui solitário. Você vai me desculpar, creio que não regulo bem da cabeça, mas a verdade é que, se não fosse por uma que outra trepadinha legal, não me faria a mínima diferença se todas as pessoas do mundo morressem. É, eu sei que isso não é uma atitude simpática. Mas ficaria todo refestelado aqui dentro do meu caracol. Afinal de contas, foram essas pessoas que me tornaram infeliz.

Charles Bukowski

Chegou o Momento

domingo, 24 de julho de 2011 às 22:19
Após diversas considerações mentais, sentimentais e até mesmo espirituais chego ao grande momento. Eu sempre soube que chegaria meu fim.Desde pequeno tenho esse demônio que me acompanha e que agora se revela em todas as suas nuances me mostrando escarniamente e com clareza a realidade de minha infelicidade. Não há caminhos mais. Não há motivos de continuar tentando e nem pra perder tempo de novo e de novo e de novo. Não há compreensão em meu ato. Não há perdão e nem Deus e nem mesmo outro lado nisso tudo. A realidade cruel dos fatos é que isso é o fim definitivo. E embora muito tenha tentado contra isso eu sempre soube o meu destino. É triste ver como os 'normais' viram todos que cometeram o mesmo ato. Não há como fazer retorno ainda que eu tenha tentado muito.
É difícil explicar como tudo começou, mas eu creio que comecei esse momento no dia do fim do casamento de meu pai e minha mãe. Eu estava lá, e eu vi tudo. A discussão já comum no quarto, os olhos chorosos, a raiva e a saída dela abandonando tudo. Eu fiquei com os olhos baixos e lendo o meu caderno chorei.Nunca participei do mundo adulto como foi aquele dia e nunca consegui participar de novo. Eu me lembro de todas as vezes que a senhora apanhou mãe. Eu estava acordado.Eu estava ouvindo.Eu estava morrendo...e foi o início desse momento.
Eu creio ter sido o mais correto possível com mulheres depois disso e por isso errei de novo. Lembro de cada paixão.Jéssica eu me lembro de você,sei que não fui nada além de mais um cara que você ficou mas saiba que foi a primeira vez que amei.Eu devia ter tido coragem pra morrer naquele dia...Você terminou comigo pra ficar com o cara com quem estivera antes de mim...eu só tinha 13 anos e se esperou tanto uma atitude de homem de mim!E eu tentei não ir ver você!Tentei continuar!Mas havia garrafas de bebidas disponíveis no bar de meu pai e eu bebi até me descontrolar. E me descontrolei...Vieram 2 TJ's na minha porta que me ajudaram.Eu chorei como criança no colo de uma delas(que por ironia era a mãe de Jai, um de meus posteriores inimigos)Me lembro de chorar muito e tentar pular da janela.Lembro de Junior,namorado de minha irmã me impedir e me colocar no chuveiro e de ter dormido chorando de tão cansado.E a sua reação fora tão mais madura!Apenas ignorou o que sua amiga contou sobre isso e eu sobrevivi aquilo...
Mas pra que?Pra conhecer mais dor... Tal dor que sempre se repetiu após isso.Todas as pessoas que amei me esfaquearam brutalmente ainda que eu não tenha feito nada além de ser eu mesmo.E me pergunto a todo momento PORQUE?PORQUE SOU PIOR QUE TODOS OS CARAS?PORQUE EU NÃO SIRVO?PORQUE EU SOU TÃO MAL?PORQUE SOU TÃO DESCARTAVEL?POR QUÊ?
Eu guardarei comigo nesse fim três memórias... e lhes darei nome:Thays Alencar, Amanda Patrícia e Karen Janine.
Karen, por quê?Eu fiz tudo por você. paguei o preço alto de ter Fé e de mantê-la contra a minha mente por amor a você e o que fiz pra deixar de merecer você?Você foi embora e eu sei que minha culpa nisso foi ter sido eu contigo... foi ter te decifrado e visto em seus olhos verdades que eu nunca quis conhecer.Foi não ter fé suficiente pra fechar os olhos a realidade esmagadora ao redor.Não fui pra você menos do que qualquer homem será em sua vida e por isso me surge a duvida, porque?Ouvi de você as piores palavras em sua voz mansa e prefiro o meu método destrutivo e avassalador, porem sincero e claro... Eu queria muito poder entender você pra aceitar mas a ferida não permite reanalisar...
Amanda, eu a conheço desde criança e jamais esperaria de você tamanha covardia e mau caráter!Hoje você se faz em sua cabeça de certa, mas somente eu e você sabemos o que exporei agora!E o faço por saber que você odeia ser exposta!
Você estava assustada e indefesa quando nos reaproximamos e eu queria te dar meu coração como ha muito tempo você já sabia. Éramos pequeninos quando eu tentei beijar teus lábios e você me rejeitou...eu sai de sua casa triste e me afastei.Nos encontramos algumas vezes em que eu fui perfeitamente grosso contigo e deixei claro minha frustração...O tamanho de minha dor ao saber que você ia casar,que estava grávida, que seria impossível nos dois algum dia!O tamanho de minha alegria e euforia ao saber que havia se separado!Os momentos na cama brincando com o bebê. A bebe foi a única criança fora de minha consangüinidade que eu amei...e você me causou tanta dor só por não me permitir ter acesso as fotos que eu tinha com ela...ao menos esse direito eu pedi a ti.Me prometeu enviar e o que fez?Quero que nessa hora terrível você saiba que se eu tivesse aquelas fotos duraria mais... superaria melhor a dor de não ver a bebe...aceitaria toda a injustiça que você contou pra que me odiassem em sua família!Eu fiquei de seu lado Amanda!E fui bom pra você quando ninguém tinha sequer coragem de ser!Na hora extrema de sua vida eu estava lá por você pra logo depois você impor mais dor a minha vida e me dizer com sua cara mais lavada que você não me amava mesmo!(Incrível como as coisas parecem tão simples quando não gostamos dos que nos amam!) Me pergunto todo dia se Heitor alem das condições financeiras e melhor que eu em amor!Mas as primeiras condições já são mais que suficientes não e verdade?O amor não e nada sem os malditos pequenos detalhes!(Espero que guarde tal frase contigo) Uma das coisas mais bizarras sobre isso e lembrar aquela vez que você me disse na cama que como era eu ali contigo, podia ser Gabriel, Tiago ou qualquer amigo seu. Foi Heitor não e mesmo?Agora se apega a idéia de que eu não estava trabalhando e estudando pra defender a sua falta de caráter comigo!Ter ligado pra ti e ser tratado da mesma maneira que você tratava seu ex-marido quando estava comigo me faz refletir quantos ex seus você tratara dessa maneira ate receber o troco?!Será que nesse mundo injusto e filho da puta você recebera o troco ou sempre se dará tão bem ao descartar e mentir sobre as pessoas?!Serão verdade as coisas que você contou sobre seu ex-marido pra mim?Quais serão mesmo as mentiras que você conta a todos sobre mim?!Por fim, que tipo de homem e Heitor pra atender ao telefone e nem sequer tomar a frente do problema tentando subterfúgios e que tipo de mulher e você pra colocar a vida daquele idiota em risco?!Espero que ele perceba a realidade sobre você antes que seja tarde pra ele também!Eu espero que a bebê (que nem me atrevo a pronunciar o nome) possa ao menos aproveitar dele o interesse pela musica que e a única coisa que ainda mantém esse mundo vivo pra mim...
Enfim Thays... Sabia que você e a única namorada pra quem dei apelido?Também a única que fez parte de minhas redes sociais (como se isso significasse algo) e a que mais me identifiquei... Eu vi sua dor e os motivos de sua loucura em seus olhos...E difícil explicar mas saiba somente isso:enxergo a alma nos olhos e por isso minha existência tem sido tão nociva a minha própria alma.Eu vejo claramente as intenções,os perigos e as verdades nos olhos dos homens.Eu via traição nos olhos de Amanda por um longo tempo e o efeito disso em minha alma e indescritível.Eu via em seus olhos o medo do amor desde sempre e isso me fez amá-la tão cedo!Saiba que eu acreditei em nos dois o tempo inteiro e nunca, em momento algum, eu tive a intenção de machucá-la. Eu perdi você para mim mesmo e venho perdendo tudo, mas isso acaba agora.Espero que agora você acredite em minhas palavras.Infelizmente meu nível de intolerância e o veneno do orgulho e da desconfiança estão em níveis extremos sobre mim!Perdoe-me não poder me adaptar mais... perdoe-me ao menos agora.Carregue com você a certeza de que a amo e termino com tudo cheio desse amor.Tenha filhos por mim meu amor.Seja melhor que eu e não se entregue por favor.Também esqueça o radicalismo, ele somente te trará mais dor!Lembrarei do desejo que senti, lembrarei do dia mais inusitado de minha vida naquele banheiro em meu aniversario. Lembrarei das madrugadas acordado contigo.De como me senti melhor nesses dias...Você não sabe o quanto eu estava mal minha bebe.E você me deu um pouco de humanidade de novo.Mas já e irremediável a dor e descrença em mim...Eu preciso ir porque não ha mais outro caminho.Eu estraguei o nosso também...Minhas ultimas lagrimas são a consciência disso...
Mãe me perdoe. Eu não consigo mais.Em muitos momentos eu sobrevivi por ti mas eu não quero me tornar o monstro que venho me tornando!Eu amo você!Perdoe-me por não falar muito disso e não procurar tua ajuda!Mas eu a amo. Também amo você Vivian,Ricardo,Gatona e Gil.Saibam que vocês me deram muita forca pra continuar e eu tentei muito...
Eu queria morrer no mar e peco que me cremem e me joguem lá. De algumas forma eu sinto que voltarei pra casa dessa maneira.Amanda leve a bebe no mar!O mar me ajudou a superar você... ainda que não o tenha feito completamente.E ela adora a água!Como eu sempre adorei...
Thays veja o mar, ouça seu som eterno e saiba que estou lá...
Aos meus amigos eu tenho pouco a dizer. Tonny,Gabriel,Faninho e Nino saibam que vocês foram as pessoas que me mantiveram vivo por mais tempo.Tantas vezes eu estive pronto a partir mas as suas amizades me fizeram esperar mais!Tonny peca perdão a dona Ana por mim, eu a amo como uma mãe, mas não consigo pedir perdão pessoalmente... Nino, você me preocupa muito meu irmão, ate já chorei por ti!Não se submeta tanto meu caro, você e superior a isso e deve viver dessa maneira!Eu morro por ser superior!Ainda que todos os homens julguem da maneira contraria!Eu não tenho parte com os fracos e não me tornarei um deles!
Eu amo todos você e por isso não agüenta mais morrer por dentro...

Adeus...

Carta de um Suicida

terça-feira, 12 de julho de 2011 às 13:38
* Postado originalmente em 13/09/2005


O que dizer a vocês amigos?

Sinto-me perdido e covarde, talvez pela concepção geral de que isso é uma fuga, um não querer enfrentar os fatos e dar a volta por cima. Não concordo muito com essa concepção, o que dizer dos etíopes? São covardes, burros e preguiçosos por morrerem de AIDS e inanição? Será que do mesmo jeito que se alimenta o corpo com proteínas, vitaminas sais e água também não devemos alimentar a mente pra que não morramos por dentro e apenas completemos o processo com o corpo?

É eu morri por dentro. Por favor, não se sintam culpados, não havia nada que vocês poderiam ter feito pra me ajudar, e talvez até tentassem se eu desabafasse com alguém minha intenção de fazer o que devo ter feito já que estão lendo minha despedida.

Várias coisas me mataram aos poucos por dentro, consumiram minha vontade de tentar. As coisas muitas vezes dão erradas e aquela história de que “Deus sabe o que faz” ajuda por um tempo, engana um pouco a gente e faz com que tenhamos a esperança que um dia as coisas vão mudar de figura, que vai pra frente, mas às vezes não vai, essa desculpa ficou tão vazia pra mim quanto o conceito de Deus, ou ele está em algum universo paralelo ou está muito alto lá em cima que meus soluços e gritos por clemência não conseguiram acordá-lo.

Por dentro jaz o que outrora foi um sonhador, visionário, otimista e desafiador. Simplesmente acomodei-me com a dor, lutar só a aumentava, parar de me debater poupou o mínimo para que eu tivesse uns poucos momentos de satisfação na minha vertiginosa queda rumo ao abismo que me encontro. Meu rosto sem expressão, essa melancolia estampada em meu ser de forma residente é o fedor que ultrapassa a barreira metafísica e se manifesta no físico. Já não consigo dormir, pensar, sonhar, amar. Estou morto! E sou ateu o suficiente pra reconhecer que a fábula da ressurreição de Lázaro é apenas um conto literário como qualquer outro, como a minha vida que não passou de uma piada de mau gosto.

Não culpo ninguém e culpo tudo e a todos. Foi o momento, a situação, as mazelas absorvidas ao longo de anos de humilhação, lutas, esforços, todos em vão.


Não quero que se lembre de mim como um covarde, quero que se lembre de mim como alguém que teve coragem suficiente para assumir um fato já consumado e torná-lo finalmente físico. Alguém que resolveu dar um salto em meio a toda amargura e desespero, que abriu os braços e pulou daquela cachoeira, fugindo dos zumbis que o circundavam que também estavam mortos, sendo que ao contrário de mim, eles mentiam pra si mesmos sobre isso.

Carta de um Suicida ( Por Onécimo Fiuza)

às 13:36
Hoje, definitivamente, cansei da vida.
Eu tentei mudar meus pensamentos, eu realmente tentei, mas a felicidade não é uma dádiva concedida a todos nem a alegria uma conquista geral.
Meus amigos sempre se afastam incrivelmente isso acontece quando eu mais preciso deles e isso acontece sempre ao mesmo tempo.
Talvez seja pelas minhas queixas da vida. As pessoas não gostam de andar com queixosos, mesmo que estes estejam certos em sempre se queixar. Ou talvez eu seja uma pessoa enfadonha e apática, eu me acho enfadonho a maior parte do tempo.
Bem, hoje o que eu vim fazer aqui foi me despedir da vida. Viver não está sendo bom para mim. Peço desculpas a todos a quem eu magoei no passado e a todos que eu magoarei com este ato.
Não citarei nomes para não ser injusto, mas tentarei resolver algumas questões e no dia e hora já marcados por mim eu me despedirei da vida com belos cortes nos braços e uma gravata de cordas no pescoço (uma medida dupla para que não haja falhas)
Adeus a todos a quem amo e nas mãos de Deus entrego a minha vida.
Onécimo Fiuza

Publicado no Recanto das Letras em 21/10/2007

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